O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, e a Polícia Militar deflagraram nesta terça-feira (3) uma operação contra novos integrantes de uma quadrilha de agiotas que atuava em Franca (SP) e cidades da região. Os suspeitos movimentaram cerca de R$ 31 milhões nos últimos quatro anos.
São cumpridos 17 mandados de prisão temporária e 22 mandados de busca e apreensão em Franca e Ribeirão Preto (SP), no âmbito da segunda fase da operação denominada "Castelo de Areia". Dinheiro em espécie, armas, relógios de luxo, joias e celulares estão entre as apreensões.
A primeira fase da operação ocorreu entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, quando sete pessoas acabaram presas suspeitas de movimentar outros R$ 36 milhões. Já em dezembro do ano passado, todas elas, incluindo um ex-policial civil, foram condenadas a 20 anos de prisão .
As investigações apontaram que a quadrilha emprestava dinheiro a juros exorbitantes e depois cobrava as vítimas por meio de graves ameaças e violência.
Segundo o Gaeco, mesmo com as prisões anteriores, outros integrantes mantiveram a quadrilha ativa e diziam em conversas entre eles que "nada os intimidariam e, até mesmo, jamais seriam punidos". Isso motivou a deflagração da segunda fase da operação, nesta terça-feira.
Condenados
Os condenados em dezembro de 2024 são:
Evanderson Lopes Guimarães - 20 anos, 2 meses e 6 dias de reclusão; 7 meses e 6 dias de detenção;
Douglas de Oliveira Guimarães, Ezequias Bastos Guimarães, Ronny Hernandes Alves dos Santos, Bruno Bastos Guimarães, Leomábio Paixão da Silva e Rogério Camillo Requel - 20 anos, 2 meses e 6 dias de reclusão; 8 meses e 5 dias de detenção.
Entre os crimes pelos quais os réus foram condenados estão lavagem de dinheiro, organização criminosa, usura, corrupção ativa e passiva.
Na decisão, o juiz Orlando Brossi Júnior destacou o esquema de lavagem de dinheiro da quadrilha.
"Assim, inequívoco que todos agiam na prática da usura, cobrança por meio de ameaças e lavagem de capitais, com a finalidade de dissimular a origem ilícita do dinheiro, dando aparência lícita aos vultosos valores obtidos por meio destas atividades", cita trecho.
Em outra parte, o magistrado pontua quais era as funções do ex-policial dentro da quadrilha. Segundo o juiz, Requel era responsável por intimidar devedores, além de acobertar o esquema para que não fosse descoberto.
"Rogério Camillo Requel, conquanto exercesse o cargo de policial civil, era um dos responsáveis pelas cobranças e intimidações dos devedores, além de acobertar todo o esquema de empréstimos. Sobreleva destacar que sua conduta se reveste de maior reprovabilidade, dada a função pública que exercia, de que quem se exige uma postura ética, proba e em harmonia com o interesse público", pontua.
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Na decisão, o juiz Orlando Brossi Júnior destacou o esquema de lavagem de dinheiro da quadrilha.
"Assim, inequívoco que todos agiam na prática da usura, cobrança por meio de ameaças e lavagem de capitais, com a finalidade de dissimular a origem ilícita do dinheiro, dando aparência lícita aos vultosos valores obtidos por meio destas atividades", cita trecho.
Em outra parte, o magistrado pontua quais era as funções do ex-policial dentro da quadrilha. Segundo o juiz, Requel era responsável por intimidar devedores, além de acobertar o esquema para que não fosse descoberto.
"Rogério Camillo Requel, conquanto exercesse o cargo de policial civil, era um dos responsáveis pelas cobranças e intimidações dos devedores, além de acobertar todo o esquema de empréstimos. Sobreleva destacar que sua conduta se reveste de maior reprovabilidade, dada a função pública que exercia, de que quem se exige uma postura ética, proba e em harmonia com o interesse público", pontua.
Quadrilha movimentou milhões com agiotagem
Pai, filho e sobrinho, considerados os chefes do esquema, e outras quatro pessoas são acusadas de movimentar R$ 36 milhões em três anos. Rogério Camillo Requel recebeu, em três meses, cerca de R$ 340 mil provenientes do esquema, segundo denúncia do MP.
Cópias das conversas, obtidas pelo Ministério Público com autorização da Justiça, foram anexadas à denúncia e, de acordo com os promotores de Justiça, comprovam a violência utilizada pela organização criminosa para reaver o dinheiro.
Ronny é um dos membros da quadrilha que ameaçavam de morte os inadimplentes e as pessoas próximas.
Ele aparece em uma das conversas interceptadas pelo Gaeco fazendo graves ameaças a uma mulher, também sem dinheiro para pagar o que teria pegado emprestado.
Credito G1





